*Com colaboração do Dr. Igor Peres
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, sancionada recentemente, muda de forma importante o sistema de tributação no país. Apesar da grande repercussão, é importante entender quando a mudança começa a valer e como ela realmente afeta o bolso do trabalhador.
A nova regra só passa a valer em janeiro de 2026. Até o fim de 2025, nada muda no salário líquido. O efeito será sentido apenas na declaração de 2027, referente ao ano-base 2026. A expectativa é que cerca de 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas: 10 milhões ficarão totalmente isentas e 5 milhões terão redução no imposto.
Para equilibrar as contas públicas, a lei também cria uma cobrança maior para quem recebe mais de R$ 600 mil por ano. Essa contribuição será progressiva, com alíquota máxima de 10%, atingindo principalmente 140 mil contribuintes de alta renda. Segundo o governo, esse aumento compensa a perda de arrecadação das faixas mais baixas, mantendo o equilíbrio fiscal.
Alguns tipos de renda continuam fora dessa conta, como ganhos de capital, heranças, doações, rendimentos acumulados, aplicações isentas, poupança, indenizações e aposentadorias por doença grave. A legislação também limita a soma dos impostos pagos por empresas e trabalhadores individuais, com restituição automática caso o valor ultrapasse o limite permitido.
Outra novidade é a cobrança de 10% sobre lucros e dividendos enviados ao exterior, que agora entram de forma organizada na base de tributação.
Para a população, o impacto será positivo. Quem ganha R$ 5 mil por mês, por exemplo, deixará de pagar R$ 4.356,89 por ano — quase um salário extra. Nas faixas logo acima, os descontos variam:
- Até R$5mil: isenção total, economia de R$ 4.356,89;
- Até R$5,5mil: desconto de 75%, economia de R$ 3.367,68;
- Até R$6mil: desconto de 50%, economia de R$ 2.350,79;
- Até R$6,5mil: desconto de 25%, economia de R$ 1.333,90;
- Até R$ 7.350: economia máxima de R$ 605,86.
No conjunto, a mudança reorganiza o Imposto de Renda, reduz a carga para trabalhadores e aumenta a contribuição das rendas mais altas e embora seus efeitos só apareçam a partir de 2026, representam um avanço importante para o orçamento das famílias e para a progressividade do sistema.

